Print version ISSN 0066-782X
Arq. Bras. Cardiol. vol.96 no.2 supl.1 São Paulo 2011
I Diretriz Brasileira de Cardio-Oncologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia
1. Introdução
As doenças cardiovasculares nos pacientes com câncer são eventos cada vez mais frequentes, em decorrência de avanços na terapêutica oncológica que resultaram tanto na melhora da qualidade de vida como no aumento da sobrevida dos pacientes1. Nas últimas décadas, os progressos no tratamento oncológico resultaram também na maior exposição dos pacientes a fatores de risco cardiovasculares e à quimioterapia com potencial de cardiotoxicidade2,3.
Atualmente, observa-se uma mudança no paradigma em relação ao prognóstico do paciente oncológico, que passa a ser visto como um portador de uma doença crônica que ao longo de sua evolução pode apresentar descompensações agudas, como as manifestações cardiovasculares4.
A colaboração e a interação das Disciplinas de Cardiologia e Oncologia têm contribuído para reduzir os efeitos adversos cardiovasculares e obter melhores resultados no tratamento do paciente com câncer. Em janeiro de 2009, a Sociedade Internacional de Cardio-Oncologia foi criada, tendo como objetivo unir a Cardiologia e a Oncologia para promover o cuidado adequado ao paciente oncológico1. A meta principal dessa fusão é promover a prevenção, o diagnóstico adequado e o tratamento das doenças cardiovasculares nesse grupo de pacientes, permitindo que estejam em condições ideais para receber o tratamento oncológico específico.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia e a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, com o objetivo de enfatizar a importância da abordagem racional das complicações cardiovasculares no paciente oncológico, reuniram um grupo de especialistas para investigar novas estratégias e propor recomendações baseadas em evidências e desenvolver o cuidado multidisciplinar que permitirão o manejo adequado dessa categoria crescente de pacientes.
A I Diretriz Brasileira de Cardio-Oncologia tem como metas:
1) Desmistificar a visão da doença cardíaca como uma barreira ao tratamento efetivo do paciente com câncer.
2) Prevenir e reduzir os riscos da cardiotoxicidade do tratamento.
3) Promover a interação das duas especialidades (Cardiologia e Oncologia) para obter a melhor estratégia terapêutica para o paciente, considerando riscos e benefícios do tratamento.
4) Propor a unificação de terminologias e definições das complicações cardiovasculares no paciente com câncer, com o objetivo de homogeneizar a assistência e a pesquisa.
5) Divulgar as evidências disponíveis em relação às complicações cardiovasculares no paciente oncológico.
6) Disseminar recomendações práticas para a monitorização da função cardiovascular antes, durante e após o tratamento do paciente.
7) Estimular a pesquisa e o conhecimento na área de Cardio-Oncologia.
Seguem as classes de recomendação e níveis de evidência utilizados por esta diretriz.
Classes de recomendação
Classe I - Consenso sobre a indicação do procedimento/tratamento.
Classe IIa - Evidências favorecem a indicação do procedimento/tratamento.
Classe IIb - Evidências não favorecem a indicação do procedimento/tratamento.
Classe III - Não indicado o procedimento/tratamento.
Níveis de evidência
A) Dados obtidos a partir de estudos randomizados ou metanálises de grandes estudos randomizados;
B) Dados obtidos de um único ensaio clínico randomizado ou vários estudos não randomizados;
C) Dados obtidos de estudos que incluíram uma casuística e dados obtidos do consenso e de opiniões de especialistas.


